quinta-feira, 30 de julho de 2009

Me peguei pensando... Qual o exato momento e que desistimos dos sonhos de infância?
Se desistimos deles de uma hora pra outra ou se vamos deixando eles pelo caminho a medida que o mundo vai nos impondo sua realidade. E uma terceira questão, se esta realidade é veridica ou meramente uma imposição feita a nós por quem já desistiu de seus sonhos.
Aonde vão parar todos os médicos, bailarinas, bombeiros, atores, arqueólogos, veterinárias, cientistas, astronautas e pilotos de formula 1 que desejamos ser quando crianças? E os amores? aqueles imaginativos e inventivos? que tem histórias muito bem formuladas no nosso mundinho pueril, inclusive com situações e locais certos para acontecerem, qual o seu paradeiro?
Creio que eles vão perdendo a sua prioridade a medida que os que não sonham mais nos fazem acreditar que existem coisas mais importantes na vida, como ter dinheiro o suficiente, carros o suficiente, amores o suficiente, manias o suficiente e a mesma quantia de tantas outras coisas, porém estas coisas mundanas e palpavéis nunca chegam a nós na quantia desejada, nunca se tem o bastante e sempre se quer mais e mais, e não sabemos o porquê deste querer desenfreado.
Acho que eu sei, queremos tanto de tudo porque não nos permitimos realizar os nossos verdadeiros anseios infantis, deixando assim uma lacuna existencial, a qual tentamos preencher a todo custo porém com o conteúdo inadequado para tapar o tal buraco.
Eu já me decidi, quero a profissão da infância, o amor da infância, o pensamento da mesma época, na qual tudo era possível. Se vou conseguir, não sei mas só vou parar de tentar quando comprovar por experiência própria que as coisas não são bem assim.
Quanto aos que dão conselhos sensatos, e aos que não sonham, sinto muito mas não irei acompanha-los.

sábado, 18 de julho de 2009


minha mente
minha vida
meu quarto
uma bagunça

Carlton
Café
Coca-Cola
Casos
Convites
Caneta
Controle remoto

Sem controle

Rivotril
Lexapro
Tarjas
Pretas
Vermelhas
Comprimidos
Brancos
Laranjas

Bagunça

Eu
Vocês
Nós

segunda-feira, 13 de julho de 2009


" Descobrir continentes é tão fácil como esbarrar com um elefante./ Poeta é o que encontra uma moedinha perdida"

Mario Quintana

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Encontre a sua verdade.
Há muito sofrimento,
em viver a mentira dos outros.
Cansei de gente,
Gente bonita pela beleza.
Gente triste pela tristeza.
Gente feliz pelo simples fato da felicidade.
Gente que acorda por estar acordando.

Tem sentido viver assim?

Tenho medo de parecer amargurado por estar escrevendo estas palavras, mas cansei também de pensar o que pensam acerca do que penso.

Cansei dessa gente justamente por não conseguir viver assim.

Certo ou errado? não sei.

Acho inclusive que as pessoas das quais me cansei, agem de tal forma porque é o que esperam que elas façam, não se permitindo assim viver da forma que realmente gostariam .

Portanto seja normal, seja banal, seja certinho , estude física, matemática, ciências atuariais, ufologia , artes plásticas, medicina, cante , seja atriz, modelo, dançarina , faça nada se assim o quiser.

Não dê importância para opiniões alheias, tampouco para a minha.

Viva.
" Esta noite tive um pesadelo. A verdade se encontrava do outro lado de um vasto oceano, e eu não sabia nadar"

Maitê Proença ( uma vida inventada memórias trocadas e outras histórias)

sábado, 27 de junho de 2009

Quando não há sentido,
Só resta a ilusão.

Vinícius Limana D'Ávila

Dedicado a Chamella

terça-feira, 23 de junho de 2009

Amanhã fico triste,


Amanhã.
Hoje não.
Hoje fico alegre.
E todos os dias,
por mais amargos que sejam,
Eu digo:
Amanhã fico triste,
Hoje não.

[Encontrado na parede de um dos dormitórios de crianças do campo de extermínio de Auschwitz. Autor anônimo.]

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Brisa

Turbilhão de calmaria,
Tempestade que não chove,
Altas ondas de rio parado,
Homeostase,
Estáticidade,
Intempestividade,

Venha brisa,
venha leve,
venha e me leve
pra qualquer lugar,
luar.

Vire vento,
vire chuva,
chova,
mova,
moinhos,
rios,
caminhos,
meu caminho.


Vinícius Limana D'Ávila

terça-feira, 16 de junho de 2009

Animais !

Os gregos, ao contrário dos romanos, só matavam animais para fins religiosos ou para seu consumo próprio. Pitágoras e seus discípulos, então, nem isso, pois acreditavam que as almas dos mortos podiam reencarnar no corpo de qualquer ser vivo – ao que Tertuliano, crítico feroz desta doutrina, redarguia, zombeteiro: “A ser assim, quem me diz que aquela carne que chia no espeto não é uma posta da minha querida avozinha?”.

Os romanos, seus sucessores, logo aprenderam a matar por prazer. Organizavam mirabolantes espetáculos no Coliseu em que milhares de animais eram abatidos diante de uma plateia assanhadíssima. Num evento tristemente memorável, Probus transplantou dezenas de árvores copadas para a arena, criando ali uma espaçosa floresta, que povoou com mil avestruzes, mil cervos, mil antílopes e mil javalis – todos mortos diante do público. No dia seguinte, massacraram cem leões, um número igual de leoas, duzentos leopardos e trezentos ursos. Depois, vinte zebras, dez girafas, trinta hienas e dez tigres indianos; em seguida, os grandes quadrúpedes: o rinoceronte, o hipopótamo e um majestoso grupo de trinta e dois elefantes.

Esta demanda frenética atraiu um exército de caçadores de espécimes selvagens; navios carregados de jaulas – arcas de Noé da morte e da destruição – zarpavam de todos os portos do Mediterrâneo. Assim foi exterminada quase toda a fauna do norte da África; assim desapareceu para sempre o leão europeu, aquele que atacou os camelos de Xerxes, quando os Persas invadiram a Macedônia em 480 a.C. Era comum na Península Ibérica, na França, na Itália e na Grécia, onde forneceu a vestimenta de Hércules; sabe-se apenas que o último exemplar conhecido morreu no ano do nascimento de Cristo.

Eis um animal que nunca vamos conhecer – e, como ele, dezenas de outros que se extinguiram não por fenômenos naturais, como os dinossauros, mas pela simples e ilimitada estupidez humana. Assim também foi o extermínio da alca gigante, o hoje desconhecido pinguim boreal, outrora encontrável em gigantescas colônias nas águas geladas do Atlântico Norte. Em 4 de junho de 1844, Jon, Sigurdr e Ketil, três pescadores islandeses, foram a uma ilha distante procurar exemplares que um colecionador tinha encomendado. Jon matou um macho; Sigurdr matou uma fêmea. Só Ketil voltou de mãos abanando, porque, sem o saber, as duas alcas que seus companheiros haviam abatido eram as últimas do planeta! As carnificinas romanas me deixam horrorizado, mas nada me impressiona mais que o relato deste momento preciso em que algo de irreparável aconteceu. Estas espécies que se extinguem são como os canários que os mineiros de carvão levavam para o fundo da mina, a fim de detectar a existência de gás, pois sua morte anuncia que a nossa também não está longe.


Cláudio Moreno